Definitivamente, eu tenho um problema com o mundo no qual vivemos.
Corrigindo: eu tenho um problema com (cert)as representações do mundo em que vivemos.
Não acredito que o mundo em que vivemos não tenha espaço para um respiro; para silêncio; para reflexão. Não acredito nesse frenesi.
Não gosto da "literatura urbana" que tanto se preza, pelo seu neo-realismo, ou neo-hiperrealismo (por isso tanto se preza e, por isso, tanto não gosto). Não gosto de videogame "em si" nem da estética de videogame. Não gosto da apropriação que se faz dessa estética fragmentária como suposto instrumento para critica-la.
Não gosto de estar sob tensão constante e gosto menos de pagar ingresso para estar sob tensão constante, ininterrupta ao longo de mais de duas horas. Não acho que a arte tem como "função" "agradar" - nao seria tão simplista. (Ou simplória.) Mas acho que essa estética - de tensão, de ruído constante, de videogame, de videoclipe, de frenesi, frenesi, frenesi - cria um mundo, não só na tela de cinema mas fora dela.
Acredito que a arte cria mundos. Não gosto do mundo que essa arte cria.
Não gostei de "Babel".