Sábado, Setembro 16, 2006

Brighton Beach



A praia de Brighton não é de areia,
mas o mar de pedra é tão bom sepulcro
como o que frente às pedras serpenteia.
Nesta costa cada pedra polida
carrega em si mil anos de existência
entre os veios de pele carcomida;
se esconde em cada curva sua essência.
(Sabes dizer a idade de uma pedra?)
Pousa então sobre os seixos tuas veias,
estira o arco do teu corpo tímido.
Pedra alguma sabe da tua demência;
amolda-te também, tem paciência:
mil anos lançarão seu lençol úmido
tecendo-te com a praia numa teia.

Sexta-feira, Setembro 15, 2006

falando de comida - ou de fome estudantil - em Brighton

Manhã feliz. Sentada em uma mesa grande, ao lado de um “power outlet”, o que permite que eu tome notas de tudo o que possa ser uma citação no futuro. Uma pilha de seis livros, para começar – a “woolfiana” da biblioteca está no “ground floor”, e a tal mesa grande, um piso acima. Terminando com esses, outros seis, ou oito, ou dez, ou quantos possa carregar pelas escadas.

Dá uma sensação de liberdade, e de que o trabalho é fácil... Claro que isso é enganoso. Depende muito mais de mim como escritora do que da minha capacidade de escolher livros numa estante bem-fornida. Mas digamos que se agradeceria muito que a universidade da gente também tivesse tantos livros sobre tantas coisas...

I have to admit it’s getting better, a little better all the time

Comi bem! Contrariando a idéia de que isso, em terras inglesas, é uma façanha, não posso reclamar do meu fish and chips, que não era fishandchips porque não vinha tudo num cone de papel-jornal, mas num prato bem arrumadinho, com ervilhas at one side, onde a atendente ainda colocou uma fatia daquele limão amarelo super suculento deles.

(falando em limão, já fiquei fã de uma bebida que tem aqui, uma limonada meio afrescalhada, orgânica e o caramba, que eu comprei ontem pela primeira vez porque a garrafinha era bonita... a de ontem era com um pouco de limão e mais gosto de uma tal de “elderflower” – nenhuma idéia de que flor seria esta em português ou em espanhol, mas procurarei. A de hoje era limonada mesmo. A de ontem - vide foto no post abaixo - era melhor. A flor desconhecida ganhou.)

Ah, e antes teve sopinha de lentilhas, que estava deliciosa.

Ponto negativo: eles acreditam que é verão e ligam vários ventiladores dentro do refeitório. (E ainda tem aqueles que, valentemente, ao ver que o sol tinha resolvido aparecer, se postaram do lado de fora.) Resultado, do mesmo modo como eles gostam de cerveja quente, devem gostar de comida fria, o que tirou uma boa parte do prazer do meu almoço. Enfim...

Pelo menos, ao contrário de ontem, não devo passar fome à noite. Acontece que isso aqui é uma faculdade “out of term”, ou seja, as aulas ainda não começaram, e tudo está ligeiramente fora de ar, embora tudo funcione ao menos um pouquinho. A biblioteca tem horários reduzidos, a canteen só abre pro café da manhã e pro almoço, e tem um bar que abre de noite, e achei que isso me salvaria, ontem, mas me enganei. Acabou que fui pra cama com um saquinho de batatas chips e um suquinho na barriga. Em algum momento, pensei que ia tomar a mini porção de leite que eles deixam no quarto para o seu chá, ao lado da kettle. Sim, aquele ridículo dedalzinho de leite, vocês entenderam bem. Mas aí achei absurdo demais, mesmo para uma estudante faminta, e esqueci do assunto, sabendo que ia encarar um English breakfast hoje cedo.

Então desta vez me preveni, voltando ao princípio do parágrafo anterior. Descobri onde estava o minimercado e fui me abastecer para quando a sombra do deserto brightoniano se abater sobre mim. Ao entrar, foi meio desesperante: em meio a cadernos, abrigos com o nome da universidade, canetas e outros utensílios necessários aos alunos, uns sanduíches de ovo ou de galinha, iogurte, chocolate, uma quantidade desproporcional de balas e doces em geral e nada cuja forma encaixasse com a do buraco que se abriu no meu estômago ontem à noite. Mas eu fiz uma “segunda leitura” das prateleiras refrigeradas e encontrei umas mini comidinhas prontas – tinha várias saladas (comprei uma de lentilhas – eles adoram lentilhas, como eu! Essa é a minha parte inglesa, pelo jeito) e outras coisinhas (como uma caixinha com quatro charutinhos de folha de uva, que eu comprei). Isso, um “Ribena Original” (seja lá o que for que eles querem dizer com isso; será que tem pirata?), sabor blackcurrant (não deve ser minha fruta preferida, mas não havia outro suco) e um iogurte devem me salvar de qualquer aperto vindouro.

Puxa, parece que a comida se torna uma grande preocupação quando você está sozinho. Ontem, pra piorar, fazia frio. Hoje de manhã, também, e chovia. Agora o sol saiu, mas não faz calor, não. De qualquer modo, ver a luz é bem mais alentador do que aquela chuva molhando o vidro da janela logo cedo (por outro lado, saber que eu não tenho de ser inglesa nisso e achar normal, já que é só por poucos dias, é um alívio e faz com que eu ligue menos pro tempo).

Preciso tirar uma foto do meu quarto – em um momento que eu tenha a sorte de estar lá e haver luz de dia bonita – para que vocês vejam como é o lugar onde eu brinco de ser Sylvia. (Está bem, está bem: Sussex não é Cambridge, e eu não sou nem tão triste nem tão poeta como ela...)

Update noturno

A mistura do cansaço de todas as viagens, mas a comida mais abundante do almoço e minha recusa (inexplicável) em tomar café depois de comer me fizeram cabecear na biblioteca, em um legítimo exemplo de sono pós-prandial. Eram 16h30 e saí numa procura desesperada de algo que tivesse cafeína. Mas nem teína encontrei: não tomavam chá as cinco? Pois na Universidade de Sussex, não. Tomarão lá nas casas dele... Cheguei à lojinha que tinha salvo a minha vida às 16h35 e o cara estava fechando a porta. Nada de nada nos arrededores da Falmer Station...

Voltei ao meu lugar, pois me sobrava menos de uma hora até a biblioteca fechar, esperando que o ventinho que começava a esfriar, com o cair do dia, me acordasse no caminho. Parece que funcionou. Dei conta de mais uma boa parte das leituras, mas ainda assim sobrou material. Hélas. Bem, não importa tanto: tenho a sensação de que o dia realmente rendeu.

Amanhã, o mar.

Quinta-feira, Setembro 14, 2006

Y siempre no...

Pues total que la melancolía no me atacó. Y la garganta también me dejó en paz. ¿Habrá sido angustia?
Ayer me preguntaba si la angustia es el miedo que uno le tiene a si mismo.

La cosa es que, si bien el viaje duró, contados todos los recorridos en metro, avion, tren, metro de nuevo, más los caminos a pie etc etc etc, ocho larguísimas horas. Llegué muy cansada a Londres, y, sí, llovía. Pero ya no tanto para cuando alcancé Bethnal Green.

Kiki me recibió con preguntas y respuestas, y charlamos hasta tarde.
Hoy me trasladé a Brighton, y de ahí a Falmer, una estación de la zona aledaña a esa ciudad marina donde las casitas son como albatroces, blancas y grises. Las veré el sábado...

Por ahora, primeras, aunque parcas, fotografías.



Dicen que la comida británica es intragable. Su mala fama recorre el mundo. Pero, como muchas malas famas, es más de oir hablar que atestiguada por los difamadores. Cuando pasé más tiempo en la isla, comía bien. Desafortunadamente, no fue el caso hoy. Pero le daré otra chance a la "canteen" del IDS (Institute of Development Studies), donde me estoy quedando. Ese "pork with mushroom sauce" no estaba tan mal, pero tuvo como principal desventaja el hecho de que no pude elegir: cuando llegué a la cafetería, me miraba, absolutamente solitario, desde el escaparate donde antes se hizo acompañar de sopa, papas al horno etc etc. En fin... Mea culpa: ¿quién en este país come a las dos y media?



Después de mi primer contacto con la culinaria local y de una primera visita a las colecciones especiales de la biblioteca (frustrantemente, fotocopias de cartas, en lugar de "the real thing"), me puse a observar las aves de los jardines de acá. Hay de esos blackbirds muy parecidos a los que también se pasean en CU. Dicen ahí que son cuervos, pero al ver que hay otros, mucho más grandes, caminando sobre el pasto tal dons en Cambridge (no tengo fotos, todavía! sólo una peliculilla...), concluyo que aquellos sí son crows. ¿O será que justo ahí reside la diferencia entre crow y raven? El que sepa, por favor, conteste. Y de paso nos informe también si ese pajarote marino es una gaviota o un albatroz. La fauna, ya vieron, no es mi fuerte. Pero las aves, qué grandes y qué chistosas!

para Chabelo

Ya sé que en tu opinión las calles son para estatuas o ambulantes. Ni modo. Era imposible no pensar en ti...

Por lo menos
la calle
está sucia.

Saludos exmadrileños,
ora Brightonian,

de la Jardinera


Quarta-feira, Setembro 13, 2006

melancolía

Se acabaron los días de vacaciones, de caminar así porque sí, de estar con gente a la que amo y que no veré en muchos meses. Estuvo bonito, aunque este periodo que ahora termina me trajera angustia, antes, porque no era el objetivo principal de mi ausencia de México y me sentía "robando tiempo". La meta real está por empezar ahora, y a partir de mañana me esperan otras latitudes, cientos de libros, archivos, escritura - y soledad.
La perspectiva me abruma, porque sé lo melancólica que soy. Me gusta estar sola, y creo que podré trabajar mucho en lo que queda del viaje, menos de diez días. Pero he sido muy sola, en otra época, en la isla. En pocas horas tengo un vuelo para allá y no sé cómo, pasado el fascinio inicial de hace unos días, voy a volver a encontrar Londres - a parte de lluviosa. (Y no traje ni paraguas, ni impermeable...) Ni sé cómo imaginarme el condado de Sussex - a parte de verde (dicen que es bien bonito. Y la belleza en soledad puede ser profundamente melancólica).
Espero que estando allá me sea posible, más que posible, fácil, estar en comunicación con ustedes. Es cierto que, desde que tengo este jardín, siempre he estado menos sola, y no nada más porque tengo sus visitas. Pero también porque aquí me encuentro, y aquí soy otra más con quien encontrarme, más que la que anda por ahí, ahora vestida de negro, contra un viento inesperado que me castiga la garganta inflamada...

así nomás para cambiar...

Porque no todo son las imágenes fotográficas, dejo acá algo que me entretuvo en alguna noche de este viaje. Está en portugués, porque no siempre habla la voz de la mayoría... A ver qué dicen, aun así. Se aceptan sugerencias para título. (Por ahora, pensé en algo que tenga que ver con "aire", porque es lo que se respira y lo que nos circunda en la falta y en la soledad.)
Les mando saludos de despedida española.

****

é nas tuas iniciais que eu respiro,
guardando fôlego para outros tempos,
quando me sentirei feita de pedra
e (paradoxo) estarei afogando.

tua falta (adaga no peito) é um tiro;
me empurra como barco em contravento;
giro ancorada ao peso da moenda
e (paradoxo) espero levitando.

tuas lembranças são como um vampiro
que espreita um colo tendido ao relento
não é o meu, segues pela vereda
e (paradoxo) sigo eu esperando.

o ar que me mandas ao pulmão é tóxico
não vivo e me matas; sim: paradoxo.

Terça-feira, Setembro 12, 2006

en algún lugar de Madrid...

¿Ya habían visto antes un ejemplar del Quijote tan grande?
Ahí (en el patio del centro cultural Conde Duque, en el barrio de Maravillas, Madrid) está el libro entero. Sí, sí, yo también dudé. Pero parece que sí es cierto. La letra empieza grande, hasta arriba, y va "encogiendo" hasta hacerse mínima, en los últimos renglones.

(las fotos son una cortesía del Dromedario)



Segunda-feira, Setembro 11, 2006

album compostelano

Los días compostelanos fueron impresionantes. Un cielo azul y un sol tan brillantes cuanto atípicos para la ciudad, que es hermosa.





desde Madrid, para Vicadín



¿qué tan frescos estarán?

album londinense 1


Bethnal Green


Fetiches ajenos...


...y los míos

Quarta-feira, Setembro 06, 2006

¡yo lloraba! (o casi)

Para la novia del Támesis
No, todavía no he visto el río. ¿Te parece increíble? Pero no te preocupes, pronto lo visitaré y le mandaré todos los besos que quieras.
Viendo nada más la ciudad, no entiendo cómo pude no ser feliz aquí, hace ocho años. Todavía en el avión, saqué tu guía de la mochila y me emocioné horrible con todo lo que recordé.
La llegada, confieso, fue un poco anti-climática. Pero creo que cualquiera que tuviera que esperar dos horas por su maleta sentiría que se deshinchaba tantito el corazón.
Y después fue el largo camino rumbo a Bethnal Green: tren de la terminal 4 a las terminales 1,2,3 de Heathrow; metro a Holborn, donde tuve un encuentro inesperado con un ex compañero del periódico. Él, creo, no pudo entender realmente por qué estudio Virginia Woolf en México. But I can not blame him and it does not really matter…
Total que, habiendo llegado a Inglaterra a las dos de la tarde, a las ocho pasadas es que estaba entrando a la casa de Kiki. Esperé por ella en la estación de metro y de ahí arrastramos el monstruo rojo hasta el departamento, que es en realidad una especie de town house, pero “moderna”, o sea, de la postguerra. Parece que la región fue muy afectada por los bombardeos, entonces no es todo ladrillo y ventanita blanca. Pero hay en el camino al edificio de Kiki, unos típicos conjuntos ingleses y, detalle que te encantaría, tienen el nombre de algunos de tus poetas queridos: Milton House, Swinburne House, Keats House…
El primer día empezó un poco tarde: traía el cansancio de las más de 24 horas de recorrido entre mi casa y la casa que me recibió, y las seis horas de diferencia horaria.
Como Kiki sale tarde para el trabajo, nos levantamos después de las 9h. Desayunamos juntas y sólo por las 10h, casi 11h logré arrejuntar los pedacitos de mí que fueron llegando poco a poco a Londres, y así salir.
(Tell the professor, please, that everything is fine and the setter is already sent. That was the first thing I did, after inquiring the postman I met outside the door if one 1st class stamp would do. I should like to know when R. gets it, for I feel responsible.)
El resto del día fue dedicado a Bloomsbury. Mi fetichismo salió totalmente de cualquier parámetro aceptable, y me tenía que contener ante mi propia ridiculez cada vez que veía un recordatorio de esa gente que nos fascina. Varias fotos, claro, en Bloomsbury Square, Gordon Square, Tavistock Square y cercanías… (Incluso una para tí; seguro ya tienes, pero ahí te va.)
Ah, y la British Library ¡es lo máximo! Realmente algo increíble, y de nuevo casi fui a las lágrimas con nada más entrar ahí. Me dieron mi credencial sin ningún problema. La tengo hasta el final de 2008, y aún sin irme espero regresar a tiempo de usarla otra vez. La ciudad ya me agarró por el corazón otra vez.
Y eso que, no, todavía no he visto el río.

Domingo, Setembro 03, 2006

H, A y F, con Leopoldo, en un bar

La idea no era que fuera bueno, sino que fuera soneto.
La Dove decía que no sabía sonetear y le quisimos comprobar que no era cierto. "Tú namás vuela de dónde sea un verso", a lo que H. accedió al consejo del amigo con la línea que abre este poema.
Nuestra paloma todavía así se sentía oprimida. Para relajarla, nos dedicamos a hacerle compañía en el intento sonetero. Pura diversión, obviamente.
Aquí va mi versión del juego, con todo y verso volado. A ver si ustedes también publican las suyas, compañeros de mesa.

Al promediar la tarde de aquel día
fue que supe que amarte era mi suerte,
y entendí qu'evitarte no es mi fuerte
que ya no me esperaba la alegría.
Pensé que no era tuyo y te quería;
que nada me valía más que verte;
venías, y no pude detenerte:
sellaste en mi deseo tu porfía.
Ora te vas, antigua amiga mía:
quedo solo, llorando mi tormento;
me estropeaste la vida sin piedad.
Quise ver en mentiras la verdad:
ora te vas, y quedo sin aliento.
Recuerda que fui tuyo y te quería.

PD - ok, ok, hice por ahí unos cambiecillos, de anoche a hoy.
PD 2 (para los puristas) - el "estropeaste" hay que pronunciarlo a la chilanga, para que no explote el endeca. Sean generosos.