"meu amor", ou brincando com cummings
Eu bem que andava com saudades desses desafios de traduzir. Aí vai minha tentativa de verter Cummings (vai com maiúscula mesmo - há controvérsias sobre a "preferência" do poeta pelas minúsculas). Diz o Alonso, quem pra variar propôs a coisa, que E.E. é "intraduzível". Ficamos, portanto, todos livres para tentar.
O original, "My love", está aqui.
meu amor
meu amor
seu cabelo é um reino
cujo rei é a escuridão
sua testa, flores em revoada
sua cabeça, floresta veloz
povoada com pássaros adormecidos
seus seios, enxame de brancas abelhas
sobre a rama do seu corpo
seu corpo para mim é setembro:
sob seus braços reside o anúncio da primavera
suas coxas, cavalos brancos atados a uma carruagem
de reis
elas são trova de bom menestrel:
entre elas há sempre música prazerosa
meu amor
sua cabeça é o escrínio
da fria jóia da sua mente
o cabelo em sua cabeça é um guerreiro
que não conhece derrota
seu cabelo sobre seus ombros é uma armada
com vitórias e trombetas
suas pernas são as árvores do sonho
cuja fruta dá pasto ao esquecimento
seus lábios, sibaritas escarlates
em cujo beijo está a safra dos reis
seus pulsos,
santuários,
guardam as chaves do seu sangue
sobre seus tornozelos seus pés são flores em vasos
de prata
em sua beleza mora o dilema das flautas
seus olhos são a traição
de uns sinos entreouvidos em meio a incenso
O original, "My love", está aqui.
meu amor
meu amor
seu cabelo é um reino
cujo rei é a escuridão
sua testa, flores em revoada
sua cabeça, floresta veloz
povoada com pássaros adormecidos
seus seios, enxame de brancas abelhas
sobre a rama do seu corpo
seu corpo para mim é setembro:
sob seus braços reside o anúncio da primavera
suas coxas, cavalos brancos atados a uma carruagem
de reis
elas são trova de bom menestrel:
entre elas há sempre música prazerosa
meu amor
sua cabeça é o escrínio
da fria jóia da sua mente
o cabelo em sua cabeça é um guerreiro
que não conhece derrota
seu cabelo sobre seus ombros é uma armada
com vitórias e trombetas
suas pernas são as árvores do sonho
cuja fruta dá pasto ao esquecimento
seus lábios, sibaritas escarlates
em cujo beijo está a safra dos reis
seus pulsos,
santuários,
guardam as chaves do seu sangue
sobre seus tornozelos seus pés são flores em vasos
de prata
em sua beleza mora o dilema das flautas
seus olhos são a traição
de uns sinos entreouvidos em meio a incenso


