As crianças deveriam ter encontrado um tesouro, mas só acharam minhocas, tão pequenas como alfinetes.
Seus avós lhes haviam dito: "quando chovem tartarugas, é tempo de escavar a terra úmida, sob a qual repousa um raio adormecido de luz dourada".
Mas seus avós haviam morrido há muito tempo, já. E, naquele início de verão, a terra estava quase seca.
"É tarde. Ou cedo. E eu não vi as tartarugas. Falta água", opinou um deles.
"Água?! E o ruído da chuva?".
"Não, é o murmúrio nas gretas, da chuva que viram meus avós".
Havia, era evidente, um desacordo entre as crianças sobre o momento justo para escavar a terra.
"Deveríamos escavar quando essas nuvens desaparecerem", disse o mais tímido do grupo.
Ninguém prestou atenção ao que parecia um conselho sem sentido, já que se tratava de chuva, não de céu azul.
Mas ele sabe mais que os outros meninos, por causa de uma lembrança distante. Distante e secreta: em um dia brilhante, ele vira cair do céu, lenta e verticalmente, uma só tartaruga, que sumiu na terra -não tão úmida-, deixando no lugar de seu mergulho uma marca de ouro.
Então, duas tartarugas como pedras preciosas... Avançaram lenta, quase imperceptivelmente sobre a terra sedenta.
As cinco crianças mal acreditavam no que viam; atrás de cada uma delas, um ligeiro pó amarelado – seria ouro? – ia formando um caminho. Só o menino tímido estampava no rosto, em vez de susto, triunfo.
“Agora é hora”, disse o pequeno tímido, enquanto começava a fazer diminutos sulcos pelos lugares que as tartarugas recém tinham marcado de ouro.
Inesperadamente, as gotas começaram a se fazer sentir, junto com o cheiro inconfundível da terra úmida. Faziam-se sentir como ferrões de abelhas travessas, ferindo o solo e batendo frias sobre as suas peles. (Abelhas de cinco olhos: três pequenos no topo da cabeça e dois maiores na frente.)
Os meninos, surpresos,viram como o rasto deixado anteriormente pelas tartarugas se acumulava sobre a terra recém umedecida, formando um pequeno riacho luminoso sob o chumbo da tarde.
E assim foi como, de novo, encontraram minhocas.
O mais tímido dos meninos não entendia por que tinham esperado que tartarugas caíssem do céu para, em vez de um raio adormecido de luz dourada, só encontrarem vermes refestelando-se na terra úmida.