Segunda-feira, Fevereiro 27, 2006

Escena 1: un diálogo

Están sentados, espalda contra espalda. Tienen la misma estatura; en lo demás, no se parecen. Se entrelazan los dedos mínimos de las manos.

- Antes nos entendíamos. Yo decía y tú asentías. O disentías. Pero yo comprendía tu disensión.
- Antes sabíamos qué sentíamos. Ahora queremos saber cómo sentir.
- ¿Sabíamos? ¿Y a qué atribuir la duda? ¿Por qué dejamos de saber? Será, como dices, por quererlo entender. Por quererlo analizar. Disecar. Desmenuzar. ¿Será el sentimiento una especulación?
- Especular, como poner ante un espejo.
- Un sentimiento es un reflejo.
- Y una reflexión.

Domingo, Fevereiro 26, 2006

Domingo de Cinzas

Eu nunca fui muito fã de Carnaval.
Não, mentira: quando eu era criança, bem que gostava. Vestir as fantasias - minha mãe geralmente fazia duas para cada uma das filhas - era uma alegria que começava desde antes, desde os ajustes, desde a escolha dos detalhes, das fitas coloridas e brilhantes. Peguei um gosto pelo disfarce.
Mas, depois de grande, depois de São Paulo, depois que a festa deixou de ser um motivo para vestir a fantasia e ser só um amontoado de gente acumulando agarrões na multidão... Deixei de ver graça.
Houve um Carnaval recente que recuperou em boa medida o encanto da infância, nas ruas empedradas de Paraty. Crianças fantasiadas, encontros de blocos nas esquinas coloniais. Foi bonito.
Hoje estou tão longe disso tudo que só costumo perceber o Carnaval quando passou: na Quarta-feira de Cinzas, é costume aqui, as pessoas desenham no rosto uma cruz de carvão. Na verdade não conheço o rito. Sei que vejo na rua, no metrô, muita gente com essa marca triste na cara. Será que se dá na missa, junto com a comunhão? Hóstia de um lado, carvão do outro? Será que é uma coisa particular, feita em casa? Não sei e suponho que não vou descobrir, a não ser que algum leitor me informe.
O fato é que esse detalhe é ilustrativo de um contraste maior. Um contraste entre "certos modos de ser" do brasileiro e do mexicano. Ponho bem entre aspas; essa história de "modos nacionais" é bem enganosa, bem pouco precisa. Mas, como qualquer generalização, não deve ser de todo fortuita, ou inexplicável.
O Brasil é o país do Carnaval; o México, o de Finados. Paradoxalmente, de todas as festas que vi por aqui, a do Día de Muertos é a mais parecida à folia de Momo. As crianças se disfarçam, saem para a rua. Há muitas velas onde teríamos confete.

E neste domingo em que as notícias na internet brasileira não param de dar conta do desfile das escolas de samba, dos blocos nordestinos, dos trios-elétricos baianos, o dia na Cidade do México amanheceu estranhamente gris para esta época do ano, em que o céu, ao menos, costuma brilhar bem azul.
Eu estou comumente gris, acorde com o tempo, acorde com a montanha que vem me soterrando (obrigações, prazeres e compensações postergados, interesse intelectual amassado pelo cansaço), montanha que parece bem mais pesada que esse Ajusco cinza, atrás da nuvem de chuva que não cai, não deve cair, nesta estação seca.
E sinto nostalgia do Carnaval, que há tanto deixei de aproveitar. Queria não ter tanta coisa em que pensar. Queria, enfim, o espírito de suspensão.
Que tudo se acabasse na quarta-feira era, afinal, melhor do que a semana se ver terminada já no domingo.

Sexta-feira, Fevereiro 24, 2006

calendario

Me recuerdan los visitantes asiduos que la primavera ya no tarda en llegar y que hasta las jacarandas, apresuradas, ya esparcen su morado sobre las calles de esta ciudad.
Es tiempo de volver al cultivo, si quiero mantenerme al dia con el calendario.
Y asi dar fin a malas hierbas que, a pesar mío, anduvieron tomando mi jardín.

Domingo, Fevereiro 19, 2006

night out, noche adentro

Bastó una copa
para sacarlo
todo:

"¿Pero qué quieres?",
te preguntan.
"Morirme."

"¡No digas eso!",
se indignan
ellos.

(Será tal vez
por esas
ideas

que hablan del
poder de
Dios

sobre la vida
de sus
creaturas.)

Tú no crees
en ello,
pero

no habría razón,
de todos
modos,

para que se
inquietaran esos
desconocidos.

No eres una
sylvia plath,
aunque

sí puedas poner
esos ojos
tristísimos.

Hay diferencia entre
manifestar un
deseo

y llegarlo a,
de verdad,
realizar.

De verdad quieres
morirte, cuando
contestas.

En aquel ínfimo
momento nocturno,
sí.

Y luego dejas
de querer.
Vives.

Y
ya. No
deseas nada más.

Vives.
Y ya.
No deseas, simplemente.

Claro está que
no lo
saben.

Y así es
que se
van

los mal informados
y confundidos
mensajeros.

Pronto te convertirás
en historia
ajena.

Se apropiarán de
ese episodio
nocturno:

"Encontramos una muchacha,
en un
bar."

"La invitamos a
bailar y
contestó

que quería morirse.
Loco, ¿no?",
recuentan.

Así toman un
pedazo de
tí.

Lo exhiben por
ahí, esos
inocentes.

Sin saber quién
eres, qué
quieres

cuando ya no
deseas la
muerte.

Luego se les
olvidará, es
cierto.

No te importa.
Así es.
Sigues.

Vives.
Y ya
no deseas nada.

(Aunque nadie, en
lo que
va

de la noche,
haya podido
adivinarlo;

aunque ninguna boca
pueda realmente
repetir

la noche oscura
que llevas
adentro.)

Sexta-feira, Fevereiro 17, 2006

questão de ordem

Eu sempre disse que não tinha ídolos. But most definitely I do...
Elizabeth Bennet!

Quinta-feira, Fevereiro 09, 2006

relva crescendo insana

Amigos:
Este jardim vai continuar descuidado mais uns dias. Muito trabalho e pouca condição de dar conta dele, realmente, com essa mão prejudicada.
No meio, a boa notícia de uma visita no universo real...
Então espero encontrá-los de novo por aqui lá pelo dia 20.