Yo and I et je ed io: no fim, sempre eu
Para Ernesto Priego, que nos últimos tempos, sem querer, colocou uma pedra a mais no sopé dessa montanha infinita.
Eu me pergunto quem pode viver sem se inquirir sobre quem é esse que se pronuncia “eu”.
Para Descartes, “eu” é quem pensa; se duvido, existo.
Para Lacan, “eu” é discurso.
Para Benveniste, é o pronome sem o qual nenhum enunciado é possível.
Para a Virginia Woolf de A Room of One’s Own, o “I” é uma forma masculinamente atravessando a página: um risco. Para a de enormes quantidades de páginas animadas em romances, cartas, diários, é a marca em torno da qual ela se pergunta todo o tempo. “Quem sou eu?” “Quem é um eu?”
Alguém que se divide em seis, em sete amigos, e é sempre um. Alguém que se irmana com um desconhecido na morte. Alguém que atravessa os tempos e os sexos. Que escreve, que conta histórias, diria Bernard. Que não tem rosto, diria Rhoda. Que reconhece a força de seu próprio corpo, diria Jinny. Que fala com acento estrangeiro, diria Louis. Que ama em (quase) segredo, diria Neville. Que ama a terra, e que é feito dela, diria Susan.
Para mim, eu é alguém que se debruça constantemente sobre o eu.
Que se retorce em torno a si, ao dar voltas em torno a outros eus – como Benveniste, Lacan, Virginia Woolf e seus personagens.
É alguém que escreve sua marca aqui.
Que vê a hora mudar no relógio – agora, neste preciso minuto. Que no preciso e necessário minuto em que se pergunta quem, neste mesmo minuto, é “eu”, afinal, sabe que “eu” já passou e, entende, com Rimbaud (inevitavelmente)... que “eu” é um outro.
Entender/explicar um “eu” é muito mais o trabalho de um sísifo rolando infinitamente uma pedra montanha acima que o de um narciso eternamente mirando-se no espelho de umas águas.
Para Nicolás, aparentemente, "eu" é alguém que deve ser anulado.
Eu me pergunto quem pode viver sem se inquirir sobre quem é esse que se pronuncia “eu”.
Para Descartes, “eu” é quem pensa; se duvido, existo.
Para Lacan, “eu” é discurso.
Para Benveniste, é o pronome sem o qual nenhum enunciado é possível.
Para a Virginia Woolf de A Room of One’s Own, o “I” é uma forma masculinamente atravessando a página: um risco. Para a de enormes quantidades de páginas animadas em romances, cartas, diários, é a marca em torno da qual ela se pergunta todo o tempo. “Quem sou eu?” “Quem é um eu?”
Alguém que se divide em seis, em sete amigos, e é sempre um. Alguém que se irmana com um desconhecido na morte. Alguém que atravessa os tempos e os sexos. Que escreve, que conta histórias, diria Bernard. Que não tem rosto, diria Rhoda. Que reconhece a força de seu próprio corpo, diria Jinny. Que fala com acento estrangeiro, diria Louis. Que ama em (quase) segredo, diria Neville. Que ama a terra, e que é feito dela, diria Susan.
Para mim, eu é alguém que se debruça constantemente sobre o eu.
Que se retorce em torno a si, ao dar voltas em torno a outros eus – como Benveniste, Lacan, Virginia Woolf e seus personagens.
É alguém que escreve sua marca aqui.
Que vê a hora mudar no relógio – agora, neste preciso minuto. Que no preciso e necessário minuto em que se pergunta quem, neste mesmo minuto, é “eu”, afinal, sabe que “eu” já passou e, entende, com Rimbaud (inevitavelmente)... que “eu” é um outro.
Entender/explicar um “eu” é muito mais o trabalho de um sísifo rolando infinitamente uma pedra montanha acima que o de um narciso eternamente mirando-se no espelho de umas águas.
Para Nicolás, aparentemente, "eu" é alguém que deve ser anulado.

