as horas vazias
Que não vão se encher de você,
de um riso contido,
de longas conversas,
de um abraço que nos mantém,
aos dois,
de pé.
Penso em todas as coisas que
não.
Não falar.
Não tocar.
Não trocar as experiências,
do dia,
da vida.
Não empatar as existências,
contando histórias do que foi,
do que fomos,
do que queríamos ser
e não fomos.
Não falar do futuro –
nem de um, nem dos dois.
Não falar nem sequer do presente:
fingir que ele não existe,
fingir que nele não existe
você, nós.
Viver um luto por algo vivo,
escapar do desejo de mantê-lo na mão,
pulsando:
um pássaro.
Soltar o que retive entre os dedos,
o que eu tocava de leve,
aquilo cuja textura eu sentia,
e que me maravilhava com ser novo.
Matar o que em mim é seu,
O que,
sendo meu,
está em você.

