Terça-feira, Setembro 27, 2005

plantio de descanso

Eu fico muito lisonjeada, mesmo, com esses moços me perguntando por que eu sumi. Isso deve querer dizer que, em silêncio, eles andam me visitando.
Moços, desculpem. Podia dizer que a terra está passando por essa etapa de plantio de descanso, que de vez em quando as lavouras e quetais requerem. Mas ando é sem tempo para cuidar... Que feio. Jardineira de araque, em vez de arado.
Ao mesmo tempo, se eu ando assim, atarefada e afastada, é porque estou estudando umas novas técnicas de plantio.

*
Fiquem com o que poderia ser uma sementinha de algo:

"E enfim a lembrança das suas mãos nas minhas, sobre a mesa, é uma recordação acompanhada de um sorriso. E ainda assim, uma itabira na parede - como dói."

*
Até a volta.

Sábado, Setembro 10, 2005

cinco

1.

Toma minha mão
como se fosse um amuleto;

dorme como quem reza,
genuflexo, contrito;

mão entre mãos,
rosário de penas;

inerte, imóvel
imagem-não-pedra.

2.

Setembro, tão grávido, não promete mais nada.
Estão mortas todas as flores do meu jardim.

Raízes se amarram entre meus dedos vazios.

E o peito é um terreno
pisado de folhas -
secas, desfeitas -,
essa terra baldia.

3.

Sou uma só folha
tremulando ao vento.

Nada me diz a hora
brilhando na rua molhada.

4.

poeira de maldição
torturando os alvéolos.

5.

tenho fome, sede
e um peito vazio.
como rosas na falta de pão.

(a ordem dos fatores não altera o produto)