dépaysée
Você caminha por umas ruas que ainda são novas, como é possível que ainda haja ruas novas?
Mas há. Há, são novas, e no entanto você não é turista. Você tenta se achar num fragmento de calçada, numa janela, num cruzamento em que uma árvore luta contra o tempo, esquecida.
Você sobe a passarela, e a passarela é para um outro mundo. As grades verdes que se unem, para juntar nesse carrefour aéreo gente que poderia vir de vários lados (mas não vem ninguém mais que um grupo de estudantes saindo da escola e tomando a chuva que começa a cair).
E assim, suspendida no céu da cidade cinza, no céu cinza da cidade, cercada de verde, verde de grades e verde de árvores, você sorri.
Olha para dentro e é como se visse uma fotografia de si, o guarda-chuva cinza aberto, a camiseta amarela, as sandálias, sim, de turista, mas a chuva não é tanta para molhar seus pés.
A chuva, porém, é suficiente para prover o último transporte para dentro desse parêntese cheio de reticências: um cheiro de pinho que sobe da terra, verde, fresco, antigo, sutil ele emana da terra úmida. E você sorri, sabendo onde está.
E onde está é um tempo passado e futuro, que cabe no cheiro de pinho, porque ele não é de tempo nenhum. É de uma infância que não é do seu país, mas é sua; é desta terra molhada que cobre a cidade cinza onde você veio viver. E você chora.
E você sorri.
E você segue o seu caminho, olhando para dentro de si como quem olha uma fotografia.
Mas há. Há, são novas, e no entanto você não é turista. Você tenta se achar num fragmento de calçada, numa janela, num cruzamento em que uma árvore luta contra o tempo, esquecida.
Você sobe a passarela, e a passarela é para um outro mundo. As grades verdes que se unem, para juntar nesse carrefour aéreo gente que poderia vir de vários lados (mas não vem ninguém mais que um grupo de estudantes saindo da escola e tomando a chuva que começa a cair).
E assim, suspendida no céu da cidade cinza, no céu cinza da cidade, cercada de verde, verde de grades e verde de árvores, você sorri.
Olha para dentro e é como se visse uma fotografia de si, o guarda-chuva cinza aberto, a camiseta amarela, as sandálias, sim, de turista, mas a chuva não é tanta para molhar seus pés.
A chuva, porém, é suficiente para prover o último transporte para dentro desse parêntese cheio de reticências: um cheiro de pinho que sobe da terra, verde, fresco, antigo, sutil ele emana da terra úmida. E você sorri, sabendo onde está.
E onde está é um tempo passado e futuro, que cabe no cheiro de pinho, porque ele não é de tempo nenhum. É de uma infância que não é do seu país, mas é sua; é desta terra molhada que cobre a cidade cinza onde você veio viver. E você chora.
E você sorri.
E você segue o seu caminho, olhando para dentro de si como quem olha uma fotografia.

