Certas distâncias, dizem, avivam o amor. Sabemos disso na pele.
Mas outras - serão a maioria? - acabam apagando o que se sentiu.
O problema, certamente, não é da quilometragem, mas da qualidade do afeto.
É clichê, também, dizer que amor é feito planta. Precisa regar e coisa e tal. Mas é clichê, lugar-comum, de tanto que as pessoas acreditam e, por acreditarem, repetem.
Ou seja, é comum porque é verdadeiro.
Talvez a chave seja essa: o inventado é invulgar.
Um amor que se inventa é invulgar: o irreal seduz, a bolha cristalina em que felizes entramos, perfeitamente redonda como só algo inventado pode ser.
(mas, atenção, ninguém aqui disse que um é melhor do que o outro)